Lúcia cresceu e chegou a adolescência se sentindo um patinho feio. Era discriminada em casa por causa de sua rebeldia e se sentia diferente dos colegas, por ser tímida e por causa da criação conservadora que tinha. Os valores aprendidos com o pai e a mãe a ajudaram a superar muitos obstáculos que se apresentaram à ela em sua juventude. Teve muitos pretendentes a namoro, mas acreditava que isto se devia a posição social e financeira que seu pai tinha na cidade onde morava.
Ia nas festas dos adultos sempre acompanhada de seus pais e ficava a admirar os casais que saiam a rodopiar pelo salão de festas da "sede" existente na Ilha onde morava. Se punha a sonhar de olhos abertos, rodopiando pelo salão nos braços de um belo rapaz.
Ouvia sempre o pai falar que iria dançar com um homem quando completasse 15 anos e a menininha, agora adolescente, contava os anos, meses e dias que a separavam do dia em que completaria a tão esperada idade. Esta, finalmente chegou e decepção total. O pai permitiu que fosse dançar com um homem que tinha idade para ser seu pai, meio metro longe do homem(graças a Deus, pensava a menina, pois o homem estava longe de ser o príncipe dos seus sonhos) e além de tudo isso, só podia dançar nos limites da mesa onde estavam sentados seus pais e amigos da família.
A menina desistiu. O primeiro sonho foi desfeito, o que foi esquecido com o passar do tempo.
Lúcia, como toda adolescente, se apaixonava pelos amigos dos irmãos, sempre homens mais velhos. Verdadeiro amor platônico, o que também era logo esquecido.
O tempo foi passando e a menina estava cursando o 1º Grau. Sua mãe(o pai cuidava do sustento da familia e a mãe de todo o resto)a manda para a cidade grande para estudar, acompanhada de uma irmã, dois irmãos e uma senhora como responsável.
Foram momentos de aprendizado. Longe do pai e da mãe, a menina não tinha ninguém que a orientasse a respeito do certo e errado, o que podia ou não fazer. Então, o inevitável aconteceu. Uma amiguinha da vizinhança estudava no turno da manhã, enquanto Lúcia estudava a tarde. A menina chegava da escola e ia para casa de Lúcia para brincarem. Lúcia esquecia da hora e quando se lembrava da escola, já não dava mais para ir à aula.
Lúcia ficou reprovada dois anos por faltas, (naquela época falta reprovava, hoje, nem tanto)e como castigo, foi mandada para outra cidade morar com a avó paterna. (continua)
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